A arte que eu faço 

A vida está cada vez mais dura, o dia a dia ficou mais pesado, independentemente da posição política, classe social, cultura... Tudo efervesce rapidamente, o ódio aumentou, a feiura que rondava lá fora, nas sombras, foi de repente colocada na vitrine, sob os holofotes para ser vista por todos de forma obrigatória, não se tem opção, ela está presente nos jornais, redes sociais, novelas, filmes, na igreja, na escola, em todo lugar que você vá. Somos tomados de sentimentos ruins, ansiedade, medo e incertezas. Nos trancamos em casa e sonhamos com dias melhores, em dias que possamos de chamar de normais, como se foi a alguns anos atrás. Mas sabemos que isso não acontecerá e voltamos ao sofrimento. Eu me recorro às artes, me refugio nas palavras, notas musicais, imagens e vídeos que eu mesmo faço. Na felicidade de ver outras pessoas compartilhando essas ideias, perdendo seu tempo ouvindo ou vendo o que eu produzo. 

Escrevi todo esse parágrafo para justificar a arte que eu faço, seja ela música, foto, vídeo, poema, etc. Não me guio por métricas, regras e teorias, me guio pelo que eu sinto e não consigo guardar, preciso externalizar, e faço isso na forma de arte. Sou um ávido defensor das ciências, regras e técnicas aplicadas à arte, mas não como principal, mas sim como ferramentas, meus conhecimentos técnicos sobre música dão espaço sempre ao que meu coração quer bater. Além disso, não sou o melhor em coisa alguma, não sou o melhor guitarrista, baixista, tecladista, baterista. Eu nem ao menos sou bom em editar vídeos ou fotos. Sei mixar e masterizar as coisas que componho, sei fazer soar bem, sei fazer de forma que alguém vai gostar de ouvir e sentir conforto em seu fone de ouvido. Essa é a arte que eu faço. 

Amo fazer as coisas dessa forma, conecto tudo de uma forma quase impossível, há uma constante em todas as produções, desde a escrita de um poema, até a arte da capa de lançamento, EU. Eu faço todas as artes se comunicarem pois sou a mesma pessoa por trás de tudo. Consigo esbanjar minhas angustias, felicidades, ansiedade, alegrias e tristes de várias formas em várias etapa do processo, e isso é reconfortante. 

Cheguei a uma fase da minha vida que não busco mais fama e riqueza, busco viver bem, e com bem quero dizer feliz. Busco além disso construir um legado, criar coisas que vão ficar aqui e estarão presentes mesmo depois de muito tempo que eu não estiver nesse plano, o universo seguirá seu curso majestosamente, me levando junto, me reduzindo a um resíduo de energia, mas as ideias são quase eternas, quase imortais, vivem mais, são implacáveis, e isso me anima. Me sinto sendo pago por um agente do futuro, pelas minhas ideias. O agente é o tempo, e ele permitirá a minha sobrevida através da arte que eu faço agora.

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